eu fui pra califórnia

você pode ler esse texto ao som de walk – foo fighters 

Eu pensei em fazer um diário de viagem contanto tudo sobre os lugares que passei, o que achei, colocar fotos para ilustrar e tudo mais.

Seria para eu lembrar daqui uns meses ou anos, para mostrar para os meus amigos e ajudar as pessoas que querem fazer o mesmo roteiro.

Porém, minhas redes sociais estão abastecidas com fotos e as pessoas já sabem pelos lugares que passei. Quanto as dicas, bom, há um mundo de blogs, grupos e páginas com dicas incríveis pela internet – as quais não segui nenhuma e acabei quebrando a cara diversas vezes nos meus 25 dias de viagem. Então, acho que minhas dicas não seriam tão valiosas quanto as tantas outras que as pessoas dão por aí.

Então, depois de dias intensos, tudo que me resta é uma vontade enorme de falar sobre como essa viagem foi importante e me ajudou a me conhecer – ou me reconhecer – melhor.

Sempre tive muita vontade de fazer intercâmbio, mas sempre me boicotei por medo. Quando decidi e vi que existia a possibilidade de, enfim, fazer o intercâmbio, pensei bem e optei por ir apenas para passear. Explico: queria ir para San Diego, mas lá eu conseguiria passar apenas um mês estudando, por ser muito caro, e achei que eu não iria melhorar muito meu péssimo inglês. Além disso, tinha a possibilidade de ir pra Irlanda, mas não queria passar 6 meses com muito frio e esperar mais não sei quanto tempo para conhecer a Califórnia (e acho que o medo bateu na porta de novo).

Além disso, eu queria muito ter a experiência de viajar sozinha, mas logo que comprei a passagem acabou que em uma conversa super empolgada com um amigo, curti a ideia de ter cia nessa trip. No fim das contas, outra amiga se empolgou, comprou passagem, e o meu amigo que iria comigo, acabou desistindo por motivo de força maior.

No fim, acabou sendo ótimo não ter ido sozinha, porque é uma viagem muito foda para não ter com quem dividir os momentos.

Em relação ao inglês, achava que me viraria bem, mas o pouco que eu sabia se perdeu durante o voo, porque quando cheguei em Los Angeles soltei um obrigado com sotaque de gringo! Minha vergonha e medo de não ser bem interpretada falaram mais alto, o que me impediu de tentar, mesmo que falhando, e ter a oportunidade de conhecer pessoas de todo o mundo, mesmo que eu precisasse usar o Google tradutor às vezes.

Voltar a estudar inglês entrou na lista de prioridade. Não aceito fazer outra viagem para pedir comida no restaurante e rezar pra vir o prato certo ou para ficar com vergonha do meu inglês ruim e não make friends.

Ah, além disso, planejamento nunca é demais, não é mesmo? Chega de sustos! Na próxima viagem, quero ir com um roteiro melhor e com TUDO RESOLVIDO, ao invés de deixar uma hospedagem ou outra pra depois… (surpresas não tão boas aparecem no nosso caminho e é sempre bom estarmos preparados!)

Claro que eu sempre fui do tipo que gosta de emoção e de deixar tudo pra última hora, mas, meus amigos, quando se está a 10.000 km longe de casa e sem o domínio da língua local, é importante que você esteja pelo menos preparada para não correr o risco de ficar uma noite na rua… calma, não chegou a acontecer comigo, mas poderia ter acontecido…haha

Deixando essa parte de lado, que de certa forma me trouxe muita história engraçada para contar, quero falar sobre como realizar um sonho, fazer uma viagem longa e estar longe de tudo por quase um mês me fez refletir sobre minha vida.

Eu sempre falo que ainda não encontrei meu lugar no mundo, que sou desapegada e me adapto em qualquer lugar… pois bem, realmente isso sempre foi uma coisa que esteve muito forte em mim, até então.

Descobri que, sim, eu quero ser – e sou – do mundo, quero estar sempre em movimento, experimentar coisas diferentes, conhecer novos lugares, nunca me contentar em ficar parada em lugares que não me edifiquem… mas é importante, para mim, ter um lugar seguro para voltar. Nunca pensei que minha vida aqui fosse tão importante pra mim! Isso inclui minha família, minha casa, meu trabalho e meus amigos. Viajar é incrível, mas voltar pra quem e pra onde a gente ama, é melhor ainda…

Fora que eu comi muito mal, né?! Minha mãe foi me buscar no aeroporto com uma marmitinha, porque eu estava morrendo de saudade da comida dela! haha

Agora, falando de expectativa, quero te fazer uma pergunta: quando você conquistou algo que você queria MUITO, qual foi a sensação?

Eu fui com a expectativa muito alta, porque sou dessas, e 60% não aconteceu como eu esperava… nunca poderei dizer que a viagem dos meus sonhos, foi dos sonhos. Já começou com uma notícia muito triste, vinda do Brasil, e no decorrer dos dias algumas outras coisas que saíram do meu controle me deixaram chateada.

O problema maior nisso tudo é a cobrança que eu tenho comigo mesma… eu sempre falho, como todo mundo, mas não sei lidar com as minhas falhas. Fico me punindo, sabe? Algumas coisas eu poderia ter evitado, poderia ter pesquisado melhor e evitado surpresas. Outras coisas, não tinham nada a ver comigo, porque tem coisas que acontecem e não estão sob nosso controle.

Nos últimos dias, se tivesse um botãozinho da desistência, eu teria apertado. Eu já estava cansada, sem dinheiro (ah, vegas) e não aguentaria mais nenhum perrengue… meu sexto sentido já estava me avisando que algo ainda viria.

Mas, vamos pensar pelo lado de que as coisas acontecem como tem que acontecer e que tudo vem para nos ensinar.

O que eu aprendi de mais valioso é que a gente precisa encarar as dificuldades com humor… como a minha friend Monique disse várias vezes: o que não tem solução, solucionado está. Então, a gente segue em frente, chora de tanto rir das desgraças que nos surpreendem no caminho e continuamos no jogo.

A partir daqui, meu exercício diário é exatamente esse, levar a vida de forma mais leve, aceitar o que eu não posso mudar, aprender com os meus erros e continuar lutando pelos meus sonhos.

Tenho tantas coisas para conquistar, que ainda nem consegui definir minhas prioridades. E isso é tão maravilhoso! Lembro de um ano e meio atrás, que eu estava em uma fase tão desanimada e sem objetivos, que parecia que a vida estava me levando para onde ela queria e o que acontecesse estaria bom. NÃO! Não quero isso! Quero mais é resgatar cada um dos objetivos que tinham se perdido no caminho e traçar a rota para chegar em cada um deles.

Agora, é planilhar as contas, pagar todas elas e dar os próximos passos!

Que não me falte nunca motivos para acreditar que eu posso, que eu consigo e que, mesmo que as coisas não saiam como eu planejei, elas acontecem exatamente como tem que ser.

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foto tirada em Yousemite, um dos lugares mais incríveis que estive na vida

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2 comentários sobre “eu fui pra califórnia

  1. Uau, incrível. Amei seu post, ótimas dicas e realmente ir em uma Viagem tão top assim e não compartilhar estes momento seria muito foda, não poder contar as pessoas suas experiências se elas não sentisse o mesmo que você rsrs. Eu quero muito fazer Intercâmbio já declarei “É minha META” e irei fazer, ainda mais se for para um Lugar tão Perfeito assim…Parabéns !

    • Oi, Paula! Fico frio que tenha gostado do meu relato. Não faço muito a linha da organização que tem tudo detalhado para dar as dicas pra galera, mas gosto muito de escrever sobre as experiências que tenho na vida. Muito boa sorte na sua caminhada e não deixe de registrar tudo para compartilhar com a gente! O intercâmbio ainda não é uma carta fora do jogo para mim, ainda penso muito em fazer, quero ter essa experiência também, porque deve ser incrível! 🙂

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