E se colocar pimenta? Caito Maia e Rodolfo Araujo [livro]

Comprei o livro E Se Colocar Pimenta ? – a História da Marca Mais Quente do Brasil num sebo, paguei meros 4R$ e ainda estava autografado, eu já conhecia superficialmente a história do fundador – Caito Maia – e tenho alguns exemplares de seus óculos, mas confesso que jamais tive interesse em me aproximar dela, a mim, era uma “simples loja que vendia óculos“, ainda assim, quando vi o livro naquela estante empoeirada com outros tantos mil exemplares, uma voz interna me disse: “vai la, compra, é só 4 reais, o que tens a perder?

Chegando em casa após alguns afazeres, aquele livro parado na mesa ainda olhava pra mim, foi quando sentei no sofá e de la não sai sem terminar de ler. Oh yeah, terminei de ler no mesmo dia que iniciei e ao longo das suas 220 paginas encontram-se diversos grifos e rabiscos meus, para me recordar que um livro de 4R$ de uma mera loja de óculos tem muito a me ensinar!
Desta forma, não basta ensinar, é preciso compartilhar e acima de tudo recomendar a leitura.

Pois bem…

Um mix de desejo em fazer parte daquele universo “apimentado” seja entre Mandar um Currículo x Comprar uma Franquia, eu fico com a vontade inicial de visitar uma unidade.
Chilli Beans  – que na numerologia o 2º “L” significa “dinheiro” – perdura aquele olhar preconceituoso dos que ainda estão habituados a formalidades e etiquetas, não é somente um “quiosque de óculos, com vendedores tatuados e vestimentas diferenciados“, existe toda uma identidade, cultura, história e família por trás.

Uma identidade que foi criada espontaneamente, quebrando qualquer teoria administrativa, qualquer padrão que busca-se nas demais empresas.
Nos anos de faculdade de Administração, passei os longos 4 anos estudando sobre : Missão, Visão, Valores + Missão, Visão, Valores + Missão, Visão, Valores etc etc etc… e logo de cara, o Caito desconstrói essa tese alterando Missão por Tesão, na teoria, ambas são similares, mas aos olhos do apimentado Caito, é aquilo que te move, que te impulsiona, que te faz persistir nos sonhos mesmo com tantas adversidades, afinal, foi dessa forma que a Chilli Beans nasceu e permanece firme-forte até hoje.

Interessante ver a forma que a empresa nasceu, como foi construída e da importância que Caito tem em citar as pessoas que fazem/fizeram ela ser o que é hoje.  Ao longo do livro, há diversos relatos de pessoas, de varias idades, profissões com vivências em empresas renomadas e o quão felizes são pertencendo a apimentada empresa que Caito fundou.
Alias, esta aí mais uma descontração que Caito fez questão de registrar na Chilli Beans : enquanto passei anos estudando sobre “publico-alvo“, Caito surge com a ideia de que agrada a todos os gostos, idades, gêneros e estilos, direto ele diz ” é de 8 a 80 anos”. É fato! Nessa minha visita a unidade e entender um pouco mais sobre a marca e o que estava por trás, foi nítido ver famílias composta por mãe, pai, avos e filhos se aproximar de um quiosque e todos saírem com suas devidas sacolas compondo óculos estilosos. Enfim, desde o inicio, a identidade foi um critério de gestão e , por consequência, decisão.

Ao longo do livro, tudo é muito convidativo, oras, como não pude ver essa empresa antes?
Alias, Globo Repórter , põe na pauta :: Chilli Beans – de onde veio, como sobrevivem, o que fazem, como fazem?
Brincadeiras a parte… mas é incrivelmente fantástico a forma que ela conduz o relacionamento com todos os envolvidos e fatalmente aguça o interesse de “ser uma apimentada” também, ainda assim, com diversos relatos positivos e palavras bonitas que o livro descreve, ainda surge aquela breve desconfiança, afinal, já dizia minha mãe “quando a esmola é demais, o santo desconfia” , contudo, procuro acreditar na essência do ser humano e saber que tudo é possível.

Me poupo em apresentar spoilers e fazer desse post algo que se intitule “textão”, mas eu como administradora, com vivência em empresas de diversos segmentos e portes (atualmente numa multinacional renomada), acredito que realmente falta HUMANIDADE nas empresas, aquele clichê que se vê em revistas corporativas ai do tipo “você é uma matricula/numero, não é um nome” infelizmente se vê aos montes por ai, o que o livro expõe, é justamente uma empresa adversa a essa pratica, uma empresa que vê nas tatuagens/piercings uma expressão de identidade, que vê as informalidades uma maneira menos burocrática de fazer roda girar, que compreende que um quiosque no corredor de um shopping é na verdade uma forma sustentável, econômica e atrativa de apresentar uma experiência diferenciada de compra, que não possuir um dress-code não afeta a disciplina, nem o respeito, tampouco o caráter e que por trás disso há pessoas engajadas, com potenciais, com sonhos e estudos.
O que muitas empresas que vejo por ai pecam, é o fato de trabalhar aquilo que falo “de fora pra dentro“, ou seja, valorizar muito mais a grama do vizinho, do que a sua própria, ou de se importar mais com o cliente externo do que interno. Mais uma vez, a Chilli Beans dá aula sobre isso, afinal, ela buscou sempre ter uma raiz e identidade tão fortificada, que presa mais na valorização do capital humano através de conversas face-2-face do que telefonemas e emails, sem sentir a expressão daquele que fala. Enfim, fazer o colaborador acreditar no ideal da empresa, transfere assim, num sucesso de vendas, pois se sente parte do meio. A Chilli através do livro, transmite essa mensagem, de que não é uma empresa e sim uma família, que sim: possui brigas, amores, altos e baixos, mas que permanece todos juntos e unidos, cada qual contribuindo para crescimento mutuo.
Criar um ambiente de responsabilidades definidas e capacidades complementares, mas flexível o suficiente para não instaurar uma atmosfera hierárquica ou de pequenos poderes. Informais e muito afetivos nos relacionamentos, construíram um jeito de fazer negócios baseado não na técnica, mas na forma de enxergar e lidar com um mundo e as pessoas.

Bem, como mesmo disse, o livro conta a historia da empresa, tudo de uma forma muito desconstruída e diferente ao que se vê nos livros e aulas de Administração de Empresas, mas se me permite um pequeno spoiler : ao fim, ele referencia diversas teorias administrativas, evidenciando que mesmo que tudo tenha sido criado de uma forma muito intuitiva e aprendendo a base de alguns deslizes, eles estavam no caminho certo
Alem da historia, dos relatos, da cultura, das pessoas e relacionamentos, o livro também expõe a arte do empreendedorismo e para isso eu destaco um feliz trecho contido na pagina 63 que diz :

“Empreendedores de sucesso, são aqueles que sempre mantém as antenas ligadas perante o mundo e captam os sinais da época a todo instante. Uma informação aqui, outra ali, e vai-se formando uma rede de referencias que, cedo ou tarde, eclode em um insight diretamente vinculada ao nível de exposição a novos conhecimentos, pessoas e fatos. Essa é a virtude de uma marca de êxito, pois ela faz em seu processo de posicionamento, dada a sua diferença , perante os demais competidores”. (Caito Maia – Fundador da Chilli Beans)

É isso!
Um livro fantástico, o qual muito recomendo, com uma empresa que a mim só merece respeito e admiração.
A Chilli Beans é um caso de sucesso, não por seu teor acadêmico, mas por ter criado um estilo próprio de tocar um negocio.
Eu não fui paga pra escrever isso, nao trabalho numa unidade, sou uma simples leitora de um livro que estava “perdido” num sebo (a minha espera), pode parecer uma visão romantizada, mas indiferente a realidade que talvez o livro tenha omitido, eu acredito no ser humano, nas relações que se constrõe com empatia, confiança e respeito ao individuo, tudo é possível.
Se é um livro romântico, marqueteiro? Talvez!
Eu expus minha opinião, mas e você? Classifica ele de que forma? Aguardo comentários.

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