emaranhado de caos e pensamentos

Tem tanta coisa guardada aqui dentro, empoeirada, que eu nem consigo mais saber o que me deixa assim. Acúmulo de pequenas desilusões diárias que eu não sei como ressignificar pra aceitar, entender e aprender a conviver. São coisas que eu insisto sempre em dizer que são pequenas, que eu não quero falar sobre e acabo engasgada com todas elas.
A sensação é de que se eu conseguisse chorar, lavaria do meu peito todas essas angústias. Tudo ficaria mais claro e óbvio pra mim.
Mas chorar pelo que? O que pensar nesse emaranhado de pensamentos e caos que estão aqui dentro?
A garganta chega a fechar, a cabeça chega a doer junto com o corpo todo.
E de onde vem tudo isso?
Eu não sei.
Faz tempo que isso me acompanha, que me machuca e eu não consigo colocar pra fora.
Todos os porres que eu já tomei não foram capazes de me fazer externalizar toda essa bagunça emocional.
Todas as garrafas vazias, bitucas de cigarros ao chão e palavras jogadas a esmo não foram capazes de me ajudar até aqui.
Qual a próxima etapa? A próxima tentativa?
Voltar ao confinamento de uma vida ainda mais solitária, só que dessa vez sem estar rodeada de pessoas?
A pior solidão do mundo, é a que a gente sente quando se está junto de tanta gente e mesmo assim elas não são suficientes.
Então, qual a peça do quebra cabeça que eu ainda não encontrei?
Esse quebra cabeça chamado vida é tão imprevisível e difícil de decifrar, que mesmo quando falta uma pecinha, a gente não consegue imaginar a imagem que nela estará impressa.
O jeito é seguir. Seguir até encontrar essa peça e todas as respostas que ela me trará.

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se for pra ser, que seja com você

No momento em que todas as mudanças possíveis aconteceram na minha vida, você veio como um brinde. Um presentinho extra no meio de tudo aquilo que eu sonhava, mas não esperava que fosse acontecer.
O seu sorriso e esse seu cabelo jogado, encaracolado, sempre fizeram meus olhos brilharem.
Mas eu não esperava que um dia eu pudesse te tocar.
Você era aquele sonho bonito que eu sonhava, mas não esperava realizar. Aquele beijo que eu não esperava receber e aquela noite que eu não esperava ter.
Você é aquele cara que, se eu visse na rua, iria querer. Aquele amor que seria platônico sem eu perceber.
Aquele cara que marcou uma uma fase, um momento, que eu jamais vou esquecer. O dono daquele cheiro que me fez enlouquecer.
Daqui pra frente, não sei o que vai acontecer. Mas, se acontecer, eu quero que seja com você.

Sou o que queria ser quando crescer?

dificuldades-de-aprendizagem

Quando eu era criança sempre quis ser daquelas pessoas muito ocupadas, que fazem várias coisas ao mesmo tempo, com mil compromissos em um único dia. Lembro de brincar de escritório e sempre tinha milhares de atividades e fazia elas com uma urgência impressionante, tudo era para ontem e tudo era importante.

Enfim cresci, a vontade de ter dias cheios foi substituída pelas diversas tarefas. Agora tenho a faculdade, que quanto mais estudo vejo que mais tenho a estudar; as tarefas de casa, que parecem intermináveis; o trabalho, que preciso me dedicar pois é de lá que sai o salário que pago aluguel, comida, luz etc.; a academia, que aliás o corpo também precisa se mexer e com a idade vemos que é cada vez mais difícil e mais necessário; e tem também os projetos pessoais, aqueles que fazemos pensando em um futuro distante e com um prazer maior em aprender e melhorar. Ufa!!!! Com tudo isso os momentos de relembrar os momentos da infância ficam até impossíveis.

Entre uma atividade e outra ajeito uma coisa na outra, minutos se tornam preciosos, o tempo no ônibus serve para tentar colocar o sono em dia, que está cada vez mais atrasado, ou escrever as palavras que voam pela cabeça. Encontro no intervalo de uma aula e o almoço aqueles 30 minutos para lavar o banheiro correndo e já aproveito para tomar banho.

As atividades são tão unidas umas nas outras que parecem que até se encaixam, no começo dessa minha loucura achei que seria impossível viver, mas depois vamos achando um tempo aqui, outro ali e quando vi até que dava para fazer mais um pouco.

Mas chegou a hora de começar a falar um pouco de “não”, posso até cogitar a possibilidade de fazer uma coisa nova, mas antes preciso largar mão de outra.

Percebi que sou aquela mulher que queria ser quando criança, mas com uma diferença, quando desejava crescer queria ser estressada, sempre atrasada, nervosa, e isso não sou, com organização e calma dá para fazer tudo e, se for alguma coisa que realmente gosto fica ainda mais gostoso. E acredite, no final, quando alguma coisa dá certo, quando aquela atividade chega no final, quando olho para trás e vejo do que fui capaz de fazer dá uma gratificação e um orgulho de brilhar os olhos e surgi aquele sorriso de canto da boca.

Como e por onde anda você?

Me conta como está sua vida, seus planos e todos aqueles seus sonhos.

Me fala sobre você, sobre a pessoa que você se tornou e sobre as coisas que você conquistou nesse tempo.

Vez ou outra me pego pensando em como você deve estar e sinto vontade de te contar sobre como estão as coisas por aqui também.

Acho que você iria gostar de saber que eu estou trabalhando em um lugar legal, que eu saí da casa dos meus pais há alguns meses e divido um apartamento incrível com uma amiga e que estou em vias de realizar aquele sonho antigo de fazer intercâmbio.

Sabe, até hoje não encontrei alguém que me fizesse sentir o que eu sentia com você. Não sei se isso é bom ou ruim. Eu não encontrei alguém que me tirasse a paz e nem que me fizesse sentir borboletas no estômago. Não encontrei alguém que eu sentisse vontade de compartilhar meus medos, meus sonhos e as coisas do dia a dia.

Parece que cada pessoa que conheço, procuro um pouco de você, um pouco do seu cheiro, do seu jeito e do seu olhar.

O mais engraçado nisso tudo é que, quando eu encontro, não me agrada. Acredito que por dois motivos: um porque, obviamente, não é você e outro porque seu jeito foi um dos motivos para não termos dado certo.

Eu e meu jeito contraditório de ser e de levar a vida, né?!

Hoje, parando para pensar e avaliar esses anos todos e essa minha pira constante em você, sinto que ainda tenho um sentimento de culpa muito grande em relação a nós.

Não que eu ache que você é o amor da minha vida e que eu espero que um dia a gente fique juntos. Nada disso. Mas acho que eu deixei marcas dolorosas na gente.

Ver que você seguiu sua vida e está feliz me deixa feliz. De verdade.

Mas o sentimento de culpa que eu tenho, não me deixou, até aqui, seguir também nesse aspecto.

Você nunca demonstrou sentir mágoas de mim, mas, ainda assim, eu sinto que algo entre nós ficou mal resolvido.

Entre a gente tudo sempre foi resolvido através de brigas e discussões e eu sempre fiquei esperando uma oportunidade para conseguirmos conversar como dois adultos e deixar as coisas bem resolvidas entre nós.

Eu tenho muita dificuldade de iniciar uma história sem ter colocado um ponto final em outra. E, por mais ridículo que possa parecer, mesmo tendo se passado anos, eu não consegui colocar um ponto final nas páginas do meu livro que dizem respeito a você.

Te escrevo agora, como costumava fazer antes, para externalizar meus sentimentos e, de alguma forma, colocar um ponto final definitivo nisso tudo.

Não quero mais a culpa. Quero só a alegria de saber que tive a oportunidade de viver uma história tão conturbada quanto edificadora. Tive a oportunidade de ter tido um amor que me fez crescer e amadurecer e que eu pude contribuir com ele de alguma forma também.

O que eu quero agora é que, se um dia eu te encontrar pela vida, eu consiga te enxergar como uma boa lembrança do passado. Porque é isso que somos um paro outro. Mas que seja uma lembrança leve, sem mágoas, sem culpa e sem sentir que ficou algo pendente. Porque não ficou.

Para você, isso tudo pode soar sem propósito e tardio, mas aqui dentro ainda existem resquícios de amor e de saudade que precisam ser ressignificados pra eu conseguir abrir meu coração e deixar coisas novas entrarem.

Aperta o play!

A música pode ser agitada, lenta, instrumental, religiosa. Ela pode ter uma letra de amor, de raiva, de vida ou uma história contada. Pode ser agressiva, leve, delicada. Pode te trazer vontade de dançar, de dormir, de viver, de chorar. Ela pode ser rock, funk, reggae, sertanejo, clássica.

Todas passam uma mensagem, seja pela letra ou pela intensidade que os instrumentos são tocados. Mensagem que pode ser contorcida conforme o momento que estamos passando na vida. O autor da música pode ter escrito para a mãe, para o filho ou para um amigo, mas podemos ouvir e lembrar de um amor. O autor pode ter escrito para uma namorada e lembramos de um amigo querido. Ela pode ser uma música boa de dançar junto de seus amigos ou seus familiares, sem muito se importar com a letra.

A música está presente em grande parte de nossas vidas, seja em uma festa, em um filme, em uma propaganda, ela marca, além da mensagem que quer passar, faz uma ligação com aquele instante que estamos vivendo, o sentimento que temos, o momento que estamos passando, a pessoa que gostaríamos que soubesse, através daquela música, do que sentimos.

E sem percebemos ela marcou aquele momento. E no futuro, em um dia qualquer, quando ouvirmos a mesma música as lembranças e sentimentos voltam como se o tempo não tivesse passado, como se, em um passe de mágica, voltamos a viver aquele instante do passado, seja alegre ou não tão feliz assim.

Depois que percebemos isso sabemos que aquela música pode ser uma máquina do tempo para voltar a ter aquele sentimento, aquelas memórias de momentos que não estão mais presentes, determinada música irá ajudar a viver tudo aquilo novamente, mesmo que seja só para nós durante aqueles minutos. E sabemos que ali estão nossas recordações e sempre que precisarmos, podemos apertar o play novamente.